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Instituto História Viva Instituto História Viva
 

Boletim Especial História Viva
março/2011

 

“Desperte o desejo de ler, e a criança vai dar valor
à sua capacidade de ler pelo resto da vida”

Instituto História Viva
 

 

 

 

 

Dia 20 de março é Dia do Contador de Histórias. Uma data assim não poderia passar em branco pelo Instituto História Viva, já que são nossos contadores que enchem de alegria nossa existência – e a de tanta gente – e colaboram para que a cada dia possamos construir mais histórias felizes!

Este Boletim Especial é dedicado a você, contador, que está sempre preparado para encher de fantasia o coração das pessoas.



MENSAGEM PARA UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

E a história começa assim: quase num passe de mágica, mãos carinhosas acariciam as páginas de um livro para daí surgirem muitas histórias. Depois, estas mesmas histórias ganham vida própria, pois uma pessoa iluminada empresta sua graça a elas.

Então, algo esperado acontece! Com marionetes, máscaras, adereços e instrumentos musicais, o Contador de Histórias dá vida a personagens, mostra a magia dos reis e princesas, a esperteza dos heróis e a sabedoria dos bichos.

E quem é o Contador de Histórias?
* É aquele que ri, chora e faz brotar lágrimas de alegrias e de saudades;
* É aquele que deixa que muitas histórias aconteçam: Contos de Fadas, Contos Maravilhosos, Contos Tradicionais, Contos de Encantamento dos quatro cantos do mundo;
* É aquele que fala à alma os mistérios do coração e da imaginação;
* É aquele que traduz o que é visto e escutado em diversas percepções, fazendo com que todos sintam o frio, o medo, a paz, a felicidade, a fome, as cores, os cheiros e as mais diversas sensações suscitadas pelas histórias;
* É aquele que se encontra no fantástico mundo do faz de conta, brincando os caminhos mágicos dos contos de fadas.

O Mundo Mágico é assim
Parece um Milagre enfim.
Essa é sua Grande Missão:
Conte Histórias com sorriso, amor e muita imaginação!



Histórias que permanecem

Muitas histórias atravessam séculos, gerações e fazem parte da cultura popular de um povo. É assim que acontece na África, berço dos primeiros contadores de histórias que se tem registro. Ao que tudo indica, a arte de contar histórias começou no continente africano com os Griots, os contadores e cantadores de histórias africanos, considerados verdadeiras bibliotecas ambulantes. A história oral é muito valorizada na cultura africana, graças às contações dos Griots – muito do que permanece na rica cultura africana é difundido por eles, também conhecidos “Guardiões da Memória Africana”. É costume dizer que quando morre um ancião na África, é uma biblioteca que desaparece. Quando um Griot morria, seu corpo era colocado dentro do Baobá, árvore nativa do continente, para que suas histórias e canções pudessem continuar brotando e alegrando todos aqueles que as consumiam.

Fonte: www.griots.org.br e www.ruadireita.com

A contadora Mariana Prohmann, voluntária do Instituto História Viva, morou por dois anos no Quênia, onde pôde registrar a importância da história oral e dos contadores de histórias para aquele povo. Confira seu depoimento:

“Como uma pessoa apaixonada por histórias, enquanto estive no Quênia ia sempre atrás das ‘Mama Africas’ e de pessoas que tinham histórias de contos, lendas e mitos africanos. No começo, tinha grandes dificuldades de interagir por causa da língua (eles falam o Swahili, basicamente uma mistura de bantu com árabe) e diversas outras línguas tribais, mas isso nunca me impediu de me deliciar com as maravilhosas histórias. Fiz uma coletânea de algumas histórias contadas pelos ‘guardiões da memória africana’ e as trabalhei com as crianças. Viver no Quênia me proporcionou ainda outras visões sobre contar histórias, conheci muita gente com histórias diferentes, percebi o valor que elas têm para aquele povo e fiquei admirada com a sabedoria popular que vem da voz dos narradores, da palavra, do corpo e dos tambores”.



História de Contador

Todos temos belas e boas histórias para contar. Nossos contadores mostram o quanto são bons de papo e indicam algumas de suas histórias preferidas. Para ler os contos, clique no nome ou na foto.

 

Simone Amoroso
As histórias que eu gosto são muitas, mas já que temos que escolher uma, acho que foi a do "O mundo é você", que eu contei ainda quando fiz carona. Contei para um casal de senhores velhinhos que estavam na Cruz Vermelha e eles me deram um sorriso tão bonito e falaram que nós, contadores de histórias, já estávamos mudando de certa forma o mundo. Isso mexeu muito comigo e me deu mais vontade de continuar...

 

 

Gabriela Brasil e Mônica Eliz
Sempre gostei muito de ler as crônicas do Luis Fernando Veríssimo, são inteligentes e ao mesmo tempo leves e divertidas. Ele trata de assuntos tão corriqueiros e geralmente ao terminar a leitura nos pegamos pensando se aquilo realmente poderia algum dia nos acontecer. E é por esse motivo que adoro poder contar para os pacientes algumas das crônicas desse autor gaúcho. E não foi diferente em uma das tardes de contação no hospital. Entramos, eu e a Mônica, em um quarto com dois meninos. A primeira impressão que tivemos, ao ver a cadeira coberta com cabelos recém cortados, foi de um ambiente fragilizado. Um dos meninos dormia, enquanto o outro se distraía com seu notebook. Mesmo assim entramos. Os meninos nos olharam, desconfiados. Nos apresentamos, e quase sem esperança alguma, ao julgar a idade dos pacientes, perguntamos se eles queriam ouvir histórias. A resposta foi sim! Rapidamente decidimos pela história “O Lixo”, e no decorrer da contação o paciente que estava deitado se sentou, e podíamos perceber a mudança na expressão facial de ambos. No fim, os dois comentaram sobre a história, riram, brincaram e pediram por mais histórias. Neste quarto pudemos realmente perceber o poder que uma simples história tem, chegamos e encontramos um quarto silencioso e quando saímos podíamos senti-lo muito mais alegre e leve.


Delma Maria
Comprei o livro "A Zebrinha Preocupada" num sebo. Não conhecia a história, foi amor à primeira leitura. Já li diversas vezes no hospital por entender que as crianças que lá estão se sentem fragilizadas e de alguma forma diferentes das outras crianças, pois sua rotina é outra. Percebo o envolvimento da criança com a personagem, existe a identificação. Além disso, posso perceber nos olhos dos pais a aprovação quando conto essa história. O interessante é que a história é curta, mas tem uma ótima ilustração que possibilita intercalar comentários e fazer a criança interagir. Uma das vezes que marcou foi quando eu contei para um menino de uns 13 anos. Foi pura intuição, pois nem seria o livro indicado para aquela faixa etária e, principalmente, por ser menino. Comecei contar, o menino se interessou e sua mãe, que estava um pouco afastada, foi se aproximando, como que hipnotizada pela história. Quando terminei, ela falou que eu não poderia ter escolhido história melhor para o seu filho. Contou que ele tinha feito uma cirurgia na orelha por não se aceitar ao ser diferente. Foi emocionante! São essas experiências únicas que nos fazem saber que estamos trilhando no caminho certo.


Maria Helena de Castro e Carneiro
Minha história preferida é “Os sapinhos”, que conto sempre e recebo inúmeras respostas emocionantes e imediatas dos pacientes. A mais marcante foi há uns dois anos, no Hospital Cruz Vermelha. Eu entrei num quarto onde estava um senhor de mais de sessenta anos. Ele estava sozinho e se alegrou ao me ver, a roupa colorida, os bichinhos pendurados. Eu contei a história dos sapinhos e ele se emocionou, agradeceu muito e começou a falar de sua vida: que ele era o próprio sapinho, que aquela era a história dele. Ele revelou que era um dependente químico, que já havia passado por várias fases, já havia desistido de viver em muitos momentos, mas que tinha decidido, naquela altura da vida, a parar com o vício, que queria estar "limpo" no tempo que lhe restava de vida. No entanto, ninguém mais acreditava nele, tantas vezes ele já havia prometido parar. Nem os filhos, nem a ex-mulher, de quem já estava distante há muito tempo, queriam saber dele e de suas promessas. Os amigos e parentes diziam: "você não vai conseguir, não vai". E contra tudo e todos, ele decidiu procurar ajuda e se tratar. E estava ali para isso. E, no final, ele me pediu um dos bichinhos que eu trago pendurado no jaleco, que ele guardaria como talismã e, cada vez que o visse, iria se lembrar do sapinho solitário e vitorioso. E que isso o ajudaria muito a vencer no seu propósito. E ainda prometeu voltar um dia ao hospital, em visita, para me mostrar que estava bem. Saí do quarto muito emocionada, tive de parar um pouco para me refazer e ciente da responsabilidade de um contador de história. 


Tatiana Marussig
Após uma sessão de contação de histórias, ao sair do refeitório da APACN, onde um alegre e corajoso grupo de crianças comemorava o Natal, fui abordada por uma menina franzina e de olhos sorridentes, uma vez que a máscara de proteção não nos permitia vislumbrar o sorriso completo e sincero que lhe tomava a expressão. Por estar em período de recuperação após transplante de medula óssea, a menina me disse que não pôde se juntar ao grupo por restrições de contato e necessidade de isolamento. Segurando na minha mão, ela pediu que lhe contasse uma história, o que prontamente atendi. Ao terminar o conto, a pequena menina fitou meu olhos e disse: Eu lembro de você e desta história! Meu coração ficou repleto de alegria e satisfação, pois apesar de não tê-la reconhecido; já havia contado histórias para ela em uma das terças-feiras de contação no HC, junto com o Grupo Rá-Thi-Boo. “Meu nome é Taline”, disse ela; “e você já me contou esta e outras histórias quando eu tava lá no HC”. Este reconhecimento não tem preço.

Andressa Molina
Certa vez conheci uma garota chamada Érica, uma contadora chamada Andressa e um Instituto chamado História Viva. Entrei em um quartinho mais isolado, onde estava a pequena e sua mãe. Ambas me olharam com curiosidade. Tentei iniciar uma história, mostrando o livro da Cinderela, o “coringa” para as meninas na contação. Não deu certo. Resolvi então convencê-la de que sou legal para depois fechar com chave de ouro: contar histórias! Mas quase uma missão impossível era fazê-la sorrir, embora seus pequenos olhinhos me traduzissem o desejo de que eu deveria permanecer ali. Dentre as várias tentativas de conseguir um sorrisinho, apelei e fiz bolhas de sabão. Não deu certo. Coloquei o nariz de palhaço. Também não deu certo. E nisso, sem querer prendi meu dedo no elástico, o que acabou resultando em gargalhadas da pequena Érica. Ah, entendi o recado, a criança era travessa. E assim, fiz brincadeirinhas que talvez causem receios em alguns contadores: fingir que não consegue respirar por causa do nariz de palhaço, estourar bolhas antes da criança, fazer caretas... E a pequena gargalhava no quarto, atraindo olhares de algumas enfermeiras que passavam por ali. Depois disso, contei a história do moleque travesso da mata: Saci Pererê! Muitos dizem que ser voluntário é fazer sem nada em troca. Eu discordo. Conto histórias porque recebo muito mais do que fiz.


Alexandre Kuchani

Com esta história consigo conversar com a criança. Não me submeto somente a contá-la de forma passiva, esperando um bom resultado. Esta história me permite perguntar, responder e instigar a curiosidade da criança. Ou seja, me permite uma segunda história, uma história viva, onde eu e a criança a construímos de forma cativante, deixando que ela desenvolva os conceitos apresentados na bela história “O Frio pode ser Quente?”. Ela já me proporcionou momentos muito marcantes, conseguindo então fazer aquela criança desanimada se instigar por algo divertido e instrutivo! Ela sempre está comigo, onde quer que eu vá.



Juçara, Delair, Nana e Mário – Equipe do Hospital Cajuru
O Caso da UTI 

Certa tarde de quinta-feira, após nosso encontro, procedemos uma oração e saímos pelas alas de quarto em quarto. Íamos num papo animado e descontraído era uma tarde inspiradora. De repente, como se uma mão nos conduzisse, estávamos numa área de entrada restrita. Bem, o susto foi enorme, tentávamos sair e porta só abria com cartão e senha dos funcionários. Qual não foi nossa surpresa quando a Médica de Plantão na UTI nos olhou e disse: - Podem executar seu trabalho. Cada um escolheu um leito e fomos contando histórias meio sem graça... Saímos, entreolhávamos, não acreditando no ocorrido. Na semana seguinte encontramos a Médica na Cantina e ela nos perguntou: - Hoje vocês vão lá? Rimos muito e agradecemos à Mão Divina que nos guiou.

Equipe do Hospital Erasto Gaertner
Me chamo Anderson Kamers. Eu e minha esposa Lilian fazemos parte do quadro de contadores do Hospital Erasto Gaertner na ala de pediatria. Vou relatar de forma simples uma experiência vivida no último domingo, 13 de março.

Como todos sabem, o Hospital Erasto é especializado em tratamento de câncer. E nesse dia, como em todos os outros, começamos nossas atividades como de costume após o almoço. Acontece que um de nossos fervorosos clientes (Rodrigo) não se encontrava no quarto em que costuma estar, até que descobrimos que estava em um quarto individual. Ao entrar no quarto, estranhei a movimentação de parentes, pois não é habitual e nem de nosso conhecimento tamanha visita. Até aí tudo bem. Ele já disparou com um pouco de dificuldade para falar, mas com muita propriedade e orgulho, ele disse: "Esses são meus amigos Contadores de História". Como é do hábito do Rodrigo, sempre a primeira história tem que ser Os três porquinhos (Ana Maria Machado), no qual ele sempre nos auxilia no decorrer da história. Nesse dia ele quis ouvir apenas uma história, o que não é normal. Mas compreendemos e nos despedimos. Quando saímos e nos direcionamos ao refeitório, chegou alguns parentes do Rodrigo e nos disse: ele não esta enxergando mais. Foi muito triste ouvir isso e saber que a doença progrediu e causou a cegueira. Passado o momento de angústia, parei e refleti o quão importante somos na vidinha dessas crianças. Ele, mesmo estando debilitado para falar, sem expectativas de futuro e acima de tudo, cego, reconheceu a voz dos contadores de histórias o qual chamou de amigo. Espero que o relato reflita a importância de atuarmos com amor e dedicação no qual somos reconhecidos não como voluntários, mas como amigos. O Rodrigo tem entre 5 e 6 anos e essa história é real.

 

 
     
     
Instituto História Viva
 

Boletim História Viva é um informativo mensal do Instituto História Viva, associação sem fins econômicos que tem como missão transformar ambientes em que se encontram pessoas em situação de vulnerabilidade, estimulando-as e influenciando-as a fazerem uma releitura de suas histórias de vida.

 
 

 

Contação de histórias no cinema

O cinema é cheio de histórias, não é mesmo? Algumas delas falam justamente sobre as contações e os contadores de histórias. Para este dia, preparamos uma lista de filmes que tem a contação de histórias como pano de fundo. Divirta-se

Patch Adams – O Amor é Contagioso

 

Forrest Gump – O Contador de Histórias



As Vilas Volantes – O verbo contra o vento



Divino, De Repente




Histórias



Peixe Grande e suas histórias maravilhosas



O Contador De Histórias




Em Busca da Terra do Nunca



O Pequeno Príncipe



Colcha de Retalhos



A História sem Fim




Ponte para Terabítia



Um Faz de Conta que Acontece



Coração de Tinta – O Livro Mágico



 

 

 


Eles acreditam nesta causa:

 



 



 
 
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Produção do Boletim:

Sintática Comunicação

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